Plano Tecnológico - qual o papel das universidades ?
Acabei de ler o texto divulgado pelo Governo.
Parece-me cheio de generalidades que qq pessoa está obviamente de acordo e tirando o ensino do Ingles desde o ensino básico, tudo o resto são projectos de projectos que dependem sobretudo da vontade dos investidores privados, esses sim o principal motor do plano. De que forma o estado vai incentivar os investidores privados(fiscalidade, flexibilidade dos contratos de trabalho, propriedade intelectual proveniente de fundos publicos,..) ainda ninguém sabe.
O principal é obviamente a formação dos recursos humanos (doutorados e afins) e nesse aspecto as universidades são o pilar principal.Não vi qq referencia ao papel das universidades neste processo, tirando a referencia à uniformização dos cursos a nível Europeu previsto no Tratado de Bolonha. O estado não se refere à investigação fundamental, base de qq aplicação no tecido empresarial (I&D). Se vamos saltar degraus e pensar aumentar o nº de patentes só com I&D vocaccionada para as empresas, talvez também seja preciso aumentar significativamente os fundos para a investigação básica, a tal que demonstra por exemplo porque é que um barco fluta ou como é constituido o DNA, etc. - sem fundações não podemos construir o tecto .Mas se querem fazer o tecto logo de inicio talvez ao coisas possam não correr tão bem. Portanto, para mim um ponto principal reside:
Quem vai ser responsável principal pela dinamização da ciencia fundamental ?
O estado através de uma organização não universitária (modelo francês : CNRS, INSERM,..)
O estado através das universidades (modelo anglo-saxónico).
Um sistema misto pode ser uma hipótese, no entanto o financiamento teria de ser absorvido maioritariamente pelos laboratorios, através de agencias de meios como o NIH ou a recem fundada ANR, que funcionam de uma forma vertical.
Ficarei à espera das medidas reais...
sena de paus
1 comentários:
Antes de mais, quero expressar o meu reconhecimento pelo serviço público que o “clubedasueca” presa. Muito obrigado.
Em relação ao plano tecnológico. Ele incomoda-me quase tanto quanto me assusta. Isto porque assenta numa concepção de tecnologia e do tecnológico de tradição Cartesiana onde são apresentados como a solução para todos os nossos problemas. Ora, esta ideia não estando errada é incompleta. Se, e bem, nos últimos tempos temos vindo a compreender e a aceitar os ideais da produtividade e de criação destrutiva, onde a tecnologia tem um papel preponderante. Também temos vindo a aceitar que a tecnologia não tem agencia e a inovação é algo que se pode planear. E é esta simplificação que me parece perigosa e contraproducente. A tecnologia e a inovação tecnológica são parte da forma como vivemos e de como nos projectamos de forma mais ou menos autentica no nosso próprio futuro. Por isso, seguir planos e sugestões no sentido de implementar uma ou outra solução tecnológica é reduccionista. A promoção de energia nuclear, internet nos cabos de energia eléctrica, etc. é confundir o importante com o acessório. Não podemos confundir aquilo que é tecnologicamente tão avançado que nem o conseguimos compreender com aquilo que é tecnologicamente adequado e em sintonia com aquilo que queremos ser, independentemente de ser da última geração ou não.
Toda a ideia de planear a inovação tecnológica soa tanto a plano quinquenal soviético que é difícil não traçar paralelos. A vocação dos governos não é outra que não governar, não me ocorre nenhuma excepção em que um governo tenha conseguido à boa governação juntar ainda a boa interferência directa na vida económica. O governo deve criar e cumprir expectativas, porque quando criadas as condições certas os agentes económicos inovam e reinventam-se, embora dentro do que a sua sofisticação permite; daí ser importante a participação das Universidades e centros de investigação, que sejam suficientemente sofisticados para alavancarem essa reinvenção. È preciso incentivo à excelência onde hoje temos incentivo ao status quo e à mediocridade. Sempre que leio o plano tecnológico ou algo a seu respeito, não consigo deixar de recordar a frase em Inglês atribuída a Ronald Reagan: the most terrifying
words are "I am from the government, and I am here to help!"
Enviar um comentário